A Nossa Pós

A Pós-graduação em Psicopedagogia oferecida pelo SIEEESP traz um diferencial importante para todos que buscam ampliar seus conhecimentos na área da educação: a oportunidade de uma formação sob o enfoque da Psicopedagogia na Pós-Modernidade, trazendo as últimas atualizações nas áreas da Neurociência, Psicologia e Pedagogia, privilegiando uma prática inovadora.
Os profissionais com essa especialização poderão atuar na área clínica e institucional, em nível preventivo e terapêutico.

Objetivos do curso:

- favorecer o conhecimento teórico e prático-vivencial para atuação em instituições e clínicas;
- identificar os diversos distúrbios do desenvolvimento (orgânico, psicológico e intelectual);
- avaliar os aspectos afetivo-cognitivos que interferem nas situações de ensino e aprendizagem;
- atuar de maneira precisa contra o fracasso escolar;
- favorecer uma efetiva transformação no “ser” e no “fazer” do educador.

Público-alvo: Pedagogos, Psicólogos, Fonoaudiólogos e outros profissionais que atuem nas áreas da Educação e Saúde, com formação universitária.






quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ouvir histórias também auxilia na expressão escrita - Psicopedagoga Silvana Lima

         Contar histórias para ajudar na expressão escrita, além de ser sempre vinculada a um momento prazeroso e que desperta curiosidade, a contação de história pode auxiliar na expressão escrita.
        Não é só ler que ajuda a criança a escrever, ouvir é fundamental.
        Ao ouvir histórias lidas ou contadas por um adulto, a criança aprende a:

*Perceber a oralidade.
*Entender organização temporal de acontecimentos.
*Acostumar-se com um modelo de comunicação com coerência.
*Compreender que fatos podem ser registrados.
*Ter capacidade dedutiva.
*Obter prazer pela prática da leitura e/ou estudos.
*Identificar conceitos e temas principais de um texto.
*Aumentar o vocabulário.
*Sintetizar idéias a partir das vivências com diferentes títulos dos textos.
*Aprimorar os gostos e preferências literárias.
*Associar o conteúdo escrito com dramatizações.
*Compreender que expressões faciais de quem conta a história, estão representadas por sinais de pontuação.
*Entender o intuito do autor mais facilmente.
*Vivenciar o real e o imaginário.
*Assimilar os conceitos de parágrafos, com as pausas feitas durante a história.

Não se limite apenas à história, aproveite o momento e seja criativo!

Algumas sugestões de leitura:


“Macacada”, de Maurício Veneza

Este é mais um título para estimular os pequenos à leitura e à observação e, importante informar, que já recebeu da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) o selo ‘Altamente Recomendável’, na categoria ‘Criança’. Indicado para crianças a partir de três anos, o livro instiga as descobertas próprias desta fase: “Macacada” explora as rimas e o humor para uma brincadeira divertida com as palavras e os números. De maneira lúdica, os leitores mirins passam a ter contato com noções de contagem e soma, por exemplo.
O autor, Maurício Veneza, revela como surgiu a ideia: “Um dia me bateu uma vontade danada de escrever uns textos curtos sobre coisas como cores, números, formas e tamanhos. Acabou virando este livro, a que dei o nome de Macacada”. Maurício, que é também fundador da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), já escreveu cerca de 40 livros infantojuvenis.
As ilustrações são de Jean-Claude R. Alphe. À medida que a história evolui, diversas espécies de macacos são apresentadas em cores vivas. Os desenhos são mais um importante elemento da trama. “Quando criei as imagens, não pensei em dez macacos todos iguais, tanto que são de espécies diversas. Eu quis que cada um deles tivesse um comportamento diferente durante o desenrolar da história”, conta Jean-Claude. Tem mico-leão-dourado, chimpanzé, sagui, gorila… Enfim, uma ‘macacada’.

“Admirável ovo novo”, de Paulo Venturelli

Já pensou num ovo? A partir dessa questão aparentemente tão simples, este intrigante livro convida uma para reflexão sobre a vida e seus mistérios e sobre como é prazeroso desvendá-los ou apenas observá-los. Mesmo antes de sair do ovo, o pinto Pit, personagem principal da história, passa por muitos desafios durante a sua travessia pelo mundo. Na companhia dele, o leitor percorre um caminho de descobertas, de frustrações, de belezas e também de muitas dúvidas. A intenção do autor é exatamente incentivar a busca por novos pontos de vista. “Escrevo na esperança de levar uma mensagem positiva e de estímulo. Algo que, pelo imaginário, modifique a visão que o leitor tem do mundo e aumente sua sensibilidade”, diz Venturelli.
Com suas diferentes emoções, Pit é um personagem que compartilha suas emoções e estimula as crianças a se identificarem com o que leem “Espero que o leitor encontre em Pit um grande companheiro de pensamentos e não só um personagem”, diz o autor. “Pit gosta de pensar. Vive suas alegrias e desventuras com consciência, e essa é a criação mais importante do ser humano”, completa.
A obra conta com ilustrações de Mauricio Negro, que utilizou de bom humor, afeto, poesia e das lembranças de uma infância vivida na casa da avó em Cotia, São Paulo, para criar os desenhos. “Ali, as galinhas sempre ficavam por perto e aquela liberdade vigiada me intrigava”, conta.

“Era lobisomem mesmo”, de Adriano Messias


Toda sexta-feira de lua cheia era a mesma confusão: uivos, latidos, rosnados e muito medo. O pai achava que era gato e a mãe falava que era fruta caída do pé, mas o garoto teimava em dizer que era lobisomem mesmo. O mistério, verdadeiro convite à leitura e ao exercício da imaginação, é o mote da mais recente narrativa de Adriano Messias, lançada pela Editora Positivo.
“Era lobisomem mesmo!” tem o poder de conduzir as crianças à fronteira entre   realidade e imaginação, revelando com bastante sutileza a conexão entre medo, curiosidade e fantasia. “Quis brincar com o humor e o medo”, revela o autor. “Quando estava escrevendo, pensei em fazer uma brincadeira do tipo ‘é, não é’. Afinal, as coisas podem não ser mesmo o que parecem, concorda?”. Messias admite sua vocação para enredos de suspense. “Sou escritor de livros para crianças e jovens e como gosto bastante de histórias assustadoras, criei a de um lobisomem”, explica ele.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Aula da Profª Lidia Lacava - Psicopedagogia & Arteterapia – Pontos de Convergência

(PARTE II)

 - Representação do GRANDE poder de cada uma
 (atividade com juta) -


         "E basta um vislumbre de novos campos para que a imaginação da vontade acorde do conforto do repouso e ponha em movimento o eterno criar humano."
                                                                       (Gaston Bachelard).



           Nas oficinas de sensibilização, quando se exercita a Pedagogia Simbólica, seus reflexos na educação são significativos! Carlos Amadeu Byington corrobora essa ideia quando diz:


 “Trata-se de formar educadores que, durante a atividade diária, por sua maneira de trabalhar, sejam estudiosos da vida humana e da cultura e as elaborem criticamente com seus alunos. Esta formação profissional requer o desenvolvimento criativo de um professor-operário, ao mesmo tempo, sacerdote, cientista, artista e político que, distante das cátedras e palanques e dos altares, queira simplesmente se dedicar à curiosidade, à vitalidade e à intimidade dos seus alunos para juntos construírem, amorosamente, através de sua convivência, o exercício maravilhoso de saber ser.”

       

Aula da Profª Lídia Lacava - Psicopedagogia & Arteterapia – Pontos de Convergência

- PARTE I -

Mensagens da Profª Lídia

      O que é um “grupo” na concepção da Gestalt-terapia? “Grupo é considerado não somente como uma coleção de indivíduos, mas como um potente meio psicossocial que tanto afeta profundamente os sentimentos, as atitudes e comportamentos dos indivíduos daquele sistema, como em seu inverso, é profundamente afetado pelos sentimentos, atitudes e comportamentos dos indivíduos que o compõe”. 
                                                         (Kepner)

Refletindo sobre a vivência...

Para que a cura aconteça, o terapeuta deve possuir: confiança, fé, humildade e amor em seu fazer, mas não deve esquecer que o elemento responsável pela cura é o próprio grupo e não ele. De sua postura, de seu cuidar e cuidados com os seres é que a cura se manifestará. O sujeito se torna mais livre para se rever, se perceber e, assim, mudar. Quando percebe o caminho do outro... acaba encontrando o seu próprio. O grupo se fortalece e se torna cúmplice quando nota que alguém vai, aos poucos, mostrando seu lado mais escuro. Isso encoraja o outro a também começar a nomear e dialogar com seus sentimentos mais amedrontadores.  Esse é o momento mágico em que o sentir e o expressar de um, ressoa no sentir e expressar do outro... do grupo...         
                                                   (Lídia Lacava)




O ato de ensinar, aprender, construir conhecimento é movido pelo desejo e pela paixão... Ensinar possibilitando, instigando, provocando cada aluno a assumir a educação de seus desejos, voo único de libertação, para a construção de sua autoria e destino.
                                                (Madalena Freire)

 Umas dúvidas, umas inquietações, uma certeza de que as coisas estão sempre se fazendo e refazendo e, em lugar de inseguro, me sentia firme na compreensão que, em mim, crescia de que a gente não é, de que a gente está sendo.
                                                      (Paulo Freire)

domingo, 24 de junho de 2012

Um Lugar

         "Esse é o lugar onde você poderá vivenciar e trazer à luz aquilo que você é e aquilo que poderá ser. Este é um lugar de incubação criativa. A princípio você até pode achar que aí nada acontece. Mas se você tem um espaço sagrado e o utiliza, por fim alguma coisa acontecerá"
(J. Campbell)

         E esse acontecer será acompanhado por voos loucos das borboletas inebriando todo nosso ser de luz e cores!


 
Lídia Lacava

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Aula da Profª Vera Márcia Pina - 05/Maio/2012

O Quadro de Pano
                                                                                                                   (Conto Tibetano)



            Havia uma vez, numa região árida ao pé das montanhas, uma pobre viúva que tinha três filhos. O maior não prestava para grande coisa, e tampouco o segundo. O caçula é que era filho carinhoso e trabalhador, que sempre procurava ajudar a mãe no que podia. A mãe ficava tecendo o dia todo, fazendo brotar de seus dedos flores maravilhosas, pássaros e bichos de todo tipo; levava seus tecidos prontos para a feira de uma cidade vizinha, recebendo em troca dinheiro suficiente para comprar comida para ela e para seus filhos.
            O caçula costumava ir catar lenha numa floresta próxima, enquanto os outros dois se espreguiçavam ao sol, esperando que a mãe providenciasse comida.
            Um dia, a mãe acabou de vender seus brocados um pouco mais cedo que de costume e foi, então, dar uma volta pela feira, procurando um vendedor que oferecesse arroz mais barato. De repente, seus olhos pousaram numa linda tela pendurada numa loja. Aproximou-se para ver melhor. Era um quadro reproduzindo uma montanha parecida com a que havia atrás de sua aldeia, só que perto dela, em vez de cabanas pobres, havia um grupo de lindas casas limpinhas. Entre elas, a mais bonita era uma casa de andares, situada no meio de um jardim, atravessado por um riacho prateado, que formava um pequeno lago no qual se agitavam peixinhos vermelhos. Aves de galinheiro ciscavam aqui e acolá, e belas ovelhas brancas pastavam nas ladeiras das montanhas; campos de milho dourado se estendiam a perder de vista. Culminado essa tela idílica, havia no topo da montanha um grande sol de fogo.
            A mãe ficou pasma com a beleza do quadro, e não se cansava de olhá-lo. Sem hesitar um minuto, tirou todo dinheiro que tinha no bolso e que acabara de receber pelos próprios tecidos, e comprou o quadro. Só lhe sobraram algumas moedinhas para comprar um pouco de arroz para levar para casa. “Só uma vez “, pensava,” não será tão terrível. Na próxima vez comprarei alguma coisa melhor para meus filhos.” No caminho, parava de vez em quando para desenrolar o quadro e admirá-lo. Como as casas brilhavam! Como o riacho cintilava! Contava quantas galinhas havia, quantos patos, e olhava para a pequena horta com seus belos  legumes, tendo até a impressão de que podia sentir o perfume das flores que embelezavam o jardim. Nunca tinha se sentido tão feliz em toda a sua vida .
            Em casa a mãe pendurou o quadro perto da porta. Não conseguia tirar os olhos de lá. Os dois filhos maiores resmungaram e acharam ridículo gastar tanto dinheiro só para comprar um quadro, mas o caçula declarou:
            - Gostaria que você tivesse uma casa parecida com a desse quadro, mamãe, com um jardim igualzinho. Se eu fosse você teceria um quadro de pano usando este aqui como modelo. Enquanto você estiver tecendo a casa, as flores, o riacho e as galinhas, você terá a impressão de já ser dona de tudo isso.
            - Não fique pondo essas idéias na cabeça da mãe - falou o filho mais velho bocejando. Se ela começar a tecer por prazer, onde é que vamos encontrar dinheiro para viver?
            - É claro - opinou o segundo filho. Se a mãe quer viver como uma grande dama que espere pela outra vida. Talvez seja melhor do que esta!
            No entanto, a idéia do filho caçula a seduzia.
            - Não temam, meus filhos, que eu vá prejudicá-los - ela falou para acalmá-los. Vou tecer à noite e de manhãzinha para meu prazer, e o resto do dia para alimentá-los. Até agora alimentei vocês e vou continuar a fazê-lo.
            Então ela comprou os fios mais lindos e se pôs a tecer.
            A mãe passou um longo ano sentada tecendo. De noite, acendia uma tocha, cuja fumaça provocava lágrimas em seus olhos. Uma a uma, as gotas cristalinas caíam sobre o pano que estava tecendo e ela as ia incorporando ao quadro. Foi assim que teceu o lago e o riacho, com suas lágrimas.
            No segundo ano, os pobres olhos da mãe estavam tão irritados, que até sangravam. E eram lágrimas vermelhas que caíam sobre o brocado que ela tecia. A mãe as ia incorporando ao quadro, tecendo flores vermelhas e o sol que iluminava o céu.
           No terceiro ano, o quadro estava terminado. Continha tudo que estava no modelo: uma região cheia de verduras ao pé de uma alta montanha, casinhas que pareciam de prata, campos de milho dourado, jardins com legumes, árvores frutíferas, arbustos floridos e, à beira da aldeia, no lugar da pobre cabana da mãe, havia uma grande construção, com colunas vermelhas, portas amarelas e telhado azul. Atrás da casa, nas ladeiras verdes da montanha, pastavam ovelhas, búfalos e vacas; pintinhos amarelos e patinhos brincavam na grama, e pássaros cruzavam o céu em vôo rápido. Em primeiro plano, havia um jardim cheio de árvores e flores brilhantes e, no centro, um laguinho com peixinhos vermelhos; um riacho prateado atravessava os campos de arroz.
Atrás da aldeia havia campos de milho dourado e, bem acima, um sol de cobre que brilhava num céu azul.
            A mãe enxugou os olhos avermelhados e exibiu um sorriso de satisfação:
            Venham ver como está bonito, meus filhos!
            Os três filhos aproximaram-se e deram um grito de admiração.
            - Quanto dinheiro dariam por isso, se você o vendesse? - Perguntou o filho mais velho.
            - Por uma coisa assim, você poderá ganhar uma bela soma - confirmou o segundo filho.
            Mas o caçula declarou:
            - A nossa mãe construiu uma casa de seda para nós.
            Vamos contemplá-la e vivermos nela em pensamento.
            - Teci este quadro para meu prazer e não quero vendê-lo - disse a mãe. Mas, aqui na penumbra não se enxerga muito bem tudo o que há nele. Vamos levá-lo para fora, para a luz do dia.
            A mãe pendurou o quadro fora da casa e todas as cores ficaram mais intensas. Lá, a luz do dia, é que se podia ver realmente o quanto era bonito o quadro. Os vizinhos vieram admirá-lo e cada um cumprimentava a mãe, que sorrias de felicidade.
            De repente, ela sentiu no rosto a carícia de uma brisa leve, o pano de seda balançou, um vento mais forte o sacudiu como um tapete do qual se tira o pó e, por fim, ele foi arrancado da porta onde estava pendurado. Num instante, o quadro saiu voando pelos ares.
            A mãe deu um grito e desmaiou. Os vizinhos saíram em todas as direções procurando o quadro de pano, os filhos procuraram por toda a redondeza, mas ninguém encontrou o quadro de seda da mãe.
            Depois do sumiço, a mãe começou a vagar como uma alma penada. O caçula tentava consolá-la como podia, preparando sopa de gengibre, mas a mãe ia definhando rapidamente.
            Depois de algum tempo, a mãe falou para o filho mais velho:
            - Filho se você quer que eu viva, vá procurar o meu quadro de pano e o traga de volta. Sem ele, é como se eu tivesse perdido uma parte de minha vida.
            O filho calçou suas sandálias e saiu em direção ao leste. Andou meses a fio, até chegar a um desfiladeiro, onde havia uma casinha de pedra. Na frente da casa havia um cavalo esticando o pescoço em direção a uns morangos.
            - Porque o cavalo não come os morangos? - perguntou o rapaz a si próprio. - Porque será que fica assim esticando o pescoço de boca aberta? - Ao se aproximar, constatou que o cavalo era de pedra. Ficou muito surpreso com isso.
            Enquanto estava lá contemplando o cavalo, estarrecido, uma velha sorridente saiu da casa de pedra.
            - O que você está procurando, meu filho? - ela perguntou, cordialmente.
            - Estou procurando um quadro de pano que nossa mãe teceu, respondeu o filho mais velho. Nele minha mãe tinha reproduzido uma paisagem com uma casa, um riacho, um jardim, aves, o sol e flores. Para ela fazer esse quadro, não comemos bem durante anos. Mal ela acabou de tecê-lo, o vento o levou, Deus sabe para onde.
            Mamãe me pediu para procurá-lo. Por acaso não sabe onde ele está?
            - Sim, sei - falou a velha balançando a cabeça.
            Foram as fadas da Montanha Ensolarada que pegaram emprestado o quadro. Querem usá-lo como modelo para tecerem um brocado igualmente bonito.
            - Fico feliz em saber para onde dirigir meus passos para reencontrá-lo - disse o irmão mais velho, com um suspiro de alívio. A senhora poderia me indicar o caminho da Montanha Ensolarada? Quero ir logo lá, só assim vou ficar tranquilo.
            - É fácil dizer, mas difícil de realizar - disse a velha com um sorriso silencioso. Só se pode chegar lá montado neste cavalo aqui.
            - Mas, esse cavalo é de pedra! - observou o irmão mais velho.
            - Pouco importa - disse a velha. O cavalo voltará à vida assim que você implantar seus dentes nas gengivas dele, para que ele possa comer os morangos.          Se você quiser eu ajudo a arrancar seus dentes com uma pedra.
            O filho mais velho olhou para a velha espantado. Seus joelhos tremiam.
            - E isso ainda não é nada - continuou a velha, parecendo não ter percebido o espanto do rapaz. O cavalo fará você atravessar as chamas de um vulcão e o gelo de uma geleira, e só depois, além do mar, você vai encontrar a Montanha Ensolarada e as fadas. Agora, se durante o percurso você suspirar uma vez apenas, as chamas vão reduzi-los a cinzas, os pedaços de gelo da geleira vão quebrá-lo todo e as ondas do mar vão afogá-lo.
            O filho mais velho recuou dois passos, olhando para o caminho por onde tinha vindo. A velha sorriu:
            - Se você não estiver disposto, não se esforce! Melhor voltar para casa. Eu vou lhe dar uma caixinha cheia de moedas de ouro para sua caminhada.
            - A senhora vai me dar, sem mais nem menos, estas moedas, sem nada em troca? - perguntou o irmão mais velho, incrédulo mas seduzido.
            - Sim, assim por nada. Ou, se você quiser, para que você coma e não sinta fome - respondeu a estranha velhinha.
            - De fato, é verdade, prefiro voltar para casa - disse o irmão mais velho, pegando as moedas de ouro e sumindo pelo mesmo caminho pelo qual tinha vindo. Ao chegar numa encruzilhada, falou para si mesmo: Para uma pessoa apenas, estas moedas são suficientes, mas para quatro são poucas. Melhor eu ir a cidade do que voltar para casa. Vou viver como um senhor!” E tomou o caminho que levava à cidade.
            Vendo, com o tempo, que o filho mais velho não voltava, um dia a mãe falou para o segundo:
            - Seu irmão está viajando, Deus sabe onde. Sem dúvida se esqueceu de nós. Vá, meu filho, vá ver se encontra meu belo quadro de pano.
            O filho do meio calçou suas sandálias e se pôs a caminho. Andou um dia, uma semana, um mês e chegou à casinha de pedra. Viu o cavalo de pedra esticando o pescoço em direção aos morangos. A velha apareceu na porta, perguntando:
            - Que bons ventos o trazem por aqui, meu filho?
            - Estou à procura de um quadro de pano que minha mãe teceu. O vento o levou - respondeu o segundo filho.
            - Seu irmão mais velho já passou por aqui - disse a velha com um suspiro, mas teve medo de ir reconquistar o quadro de pano, porque teria que atravessar chamas e geleiras montado naquele cavalo.
            - Mas é um cavalo de pedra - estranhou o filho do meio.
            - Se você deixar eu arrancar seus dentes com uma pedra para implantá-los no cavalo, ele reviverá, comerá os morangos e poderá levá-lo até as fadas da Montanha Ensolarada, que irão lhe devolver o quadro.
            - Era só o que faltava, deixar extrair meus dentes! - disse o irmão do meio alarmado. Prefiro voltar para casa.
            - Nesse caso, vou lhe dar um cofrezinho cheio de moedas de ouro. Seu irmão também as recebeu.
            - Então foi por isso que meu irmão não voltou para casa”, pensou o irmão do meio. - E fez ele muito bem. Aproveitou melhor seu dinheiro em outro lugar. Então o irmão do meio pegou a caixinha com as moedas de ouro que lhe oferecia a velha e agradeceu educadamente, pensando em sumir o mais rapidamente possível de lá e ir direto para a cidade. - Agora vou aproveitar a vida! Por que iria repartir com os outros?”
            Ao cabo de mais um mês, a mãe chamou caçula e lhe disse:
            - Filho me sinto fraca como uma mosca e, se não encontrar meu quadro, creio que não vou resistir por muito tempo mais. Meus dois filhos maiores devem estar passeando, quem sabe onde? Sem dúvida se esqueceram de nós. Em você, sempre tive mais confiança. Vá, pois, à procura de meu quadro.
            O caçula calçou suas sandálias e partiu. Chegou ao desfiladeiro em frente da casinha de pedra e do cavalo de pedra com o pescoço esticado para os morangos. Na porta da casa se encontrava a velha, que parecia esperar por ele. Ela o recebeu dizendo:
            - O caminho que leva para o quadro de pano é difícil. Os seus irmãos maiores preferiram receber de mim uma caixinha com moedas de ouro e ir gastá-las na cidade.
            - Eu não temo nada - disse o caçula - e não preciso de ouro. As moedas não irão devolver a saúde a minha mãe. Mas, que devo fazer para recuperar o quadro de brocado?
            A velha explicou ao caçula o caminho que atravessava as chamas e o gelo. Também lhe disse que poderia reanimar o cavalo. Mal acabara de lhe dar tal esta explicação, o rapaz já tinha pego uma pedra, quebrado seus dentes e implantado na boca do cavalo. O cavalo se reanimou, engoliu os dez morangos e o rapaz montou nele, partindo imediatamente, rápido como o próprio vento.
            - Não se esqueça, não pode dar nenhum suspiro, mesmo que as chamas estejam queimando você ou o gelo ferindo seu corpo, senão você vai morrer! - gritou a velhinha.
            Ofegante o moço cavalgava cada vez mais para o interior de rochedos, até chegar a um lugar cheio de chamas que saíam das entranhas da terra. O rapaz incitou o cavalo e atravessou a muralha de fogo. As chamas o queimavam e o asfixiavam, mas ele não deu nenhum suspiro. Já estava achando que as chamas iam acabar com ele, quando o cavalo deu um grande salto e eles foram parar num caminho bem estreito e bem sombrio por entre os rochedos. O caçula enxugou o suor da face e respirou a plenos pulmões o ar fresco, incitando depois de novo o cavalo para continuarem a corrida. Andaram assim por muito, muito tempo, até que o rapaz começou a sentir um ar gelado. Ao longe ouvia-se um barulho estrondoso. Mais uma vez deu uma esporada no cavalo. Corriam como o vento, quando de repente o caminho estreito entre as rochas se abriu. O cavalo parou de sopetão. O rapaz começou a tremer de frio. Olhando em volta, percebeu que se encontravam no meio de uma inundação marinha. Até onde a vista podia alcançar, só se via gelo. Era uma imensa geleira com enormes icebergs ameaçadores que se chocavam com grande estrondo. Do outro lado da geleira, avistava-se, bem longe, uma alta montanha verde, inundada pelo sol. “É a Montanha Ensolarada”, exclamou o caçula. “Rápido, meu querido cavalo, estamos quase chegando!” O cavalo sem hesitar, jogou-se nas ondas geladas. Aquele gelo movediço queimava e feria a pele do cavaleiro, as ondas sacudiam-no e ameaçavam jogá-lo do alto do cavalo. Mas, o rapaz cerrou a boca e não deixou nenhum suspiro escapar de seus lábios. Quando já estava quase se afogando, o cavalo conseguiu alcançar a margem. O bom sol secou as roupas, cicatrizou as feridas e, antes que ele pudesse compreender o que se passava, já se encontrava no topo da montanha. Diante de seus olhos brilhava um palácio de cristal e, vindos do jardim, ouviam-se risos e cantos de umas jovens.
            O rapaz entrou pelo portal de honra do pátio e apeou do cavalo. Viu na sua frente um grupo de belas moças ocupadas em tecer um pano. No meio delas encontrava-se o quadro de sua mãe. Ao perceberem o rapaz, as moças abandonaram seus teares e vieram ao seu encontro, rindo. Uma delas, bem miudinha, com o vestido vermelho, encantou-o particularmente. A seguir, uma bela dama aproximou-se do rapaz. Ela usava um vestido brilhante como o reflexo do sol no mar. Seus cabelos compridos estavam presos por um pente de ouro.
            - Sou a rainha das fadas - disse. Nunca ninguém vem aqui. Por que você empreendeu esta viagem tão cheia de perigos?
            - Vim à procura do quadro de pana de minha mãe - disse o rapaz. O vento trouxe-o até vocês e minha mãe ficou doente por causa disso.
            - Não foi por mero acaso que o vento levou o quadro de pano de sua mãe, fomos nós que ordenamos que fizesse isso. Queríamos nos servir dele como modelo para tecermos também um lindo quadro. Se você puder empresta-lo por mais esta noite, amanhã poderá levá-lo embora. Enquanto isso, você é nosso hóspede - falou sorrindo a rainha.
            O rapaz parecia viver um sonho. As fadas o rodearam rindo e fizeram com que provasse o néctar e a ambrosia, como convém aos imortais. Logo em seguida continuaram seu trabalho. Ficaram tecendo a tarde toda. Ao cair o crepúsculo, suspenderam no teto uma pérola que brilhava na noite, para poderem continuar tecendo até meia-noite. O rapaz estava esgotado de tantas emoções e adormeceu sem perceber. Enquanto isso, as fadinhas acabavam, uma após outra, seu trabalho no tear, indo se deitar. Somente a mais jovem ficou acordada, aquela que tinha agradado ao rapaz à primeira vista. Ela ficou olhando o quadro da mãe. Nenhuma fada tinha conseguido tecer um quadro tão lindo quanto o da mãe. Nenhum riacho brilhava tanto quanto aquele que tinha sido tecido com suas lágrimas, e nenhum sol queimava tanto quanto o que fora tecido com as lágrimas de sangue dela. A jovem olhou o rapaz adormecido e teve uma idéia. Pegou um fio e bordou no quadro da mãe uma fadinha de vestido vermelho, em pé, perto do lago, olhando para os peixes vermelhos.
            O rapaz acordou à meia-noite. A sala estava vazia. Só havia lá o quadro tecido pela mãe. Ficou um pouco a admirá-lo e depois pensou: Por que esperar até amanhã? Minha mãe está doente e seu estado piora a cada dia. Enrolou, pois, o pano, colocou o casaco, montou no cavalo e se pôs a caminho. Foi em vão que as ondas do mar lançaram nele os maiores blocos de gelo e que as chamas do vulcão tentaram engoli-lo. O rapaz não deu suspiro nenhum e, antes que pudesse se dar conta, estava na frente da casinha de pedra. A velhinha já estava espiando a sua chegada pela porta.
            - Estou feliz de vê-lo de volta, meu filho. Você é um rapaz bom e valente. Você conseguiu o que queria. Eu vou devolver-lhe os seus dentes.
            Retirou os dentes do cavalo e os reimplantou na boca do rapaz. No mesmo instante o cavalo virou pedra.
            - Pegue essas sandálias de pele de cervo - disse ainda a boa velha. Ao calçá-las, você retornará à sua casa no mesmo instante.
             O rapaz agradeceu muito a boa velha pela sua ajuda, calçou as sandálias de pele de cervo e, sem saber como, foi parar na frente da casa onde tinha nascido. Uma vizinha aproximou-se ao vê-lo chegar. De cabeça baixa, disse a ele:
            - É bom que você tenha voltado. Ninguém  sabe o que vai acontecer com a sua mãe. Não sai mais de casa, enxerga cada vez menos. Não sei, não sei...
            O rapaz entrou correndo em casa, gritando:  Olhe mamãe, olhe logo!” E mostrou o pano que tinha guardado debaixo de seu casaco. O quarto se iluminou todo quando ele desenrolou o brocado.
            Quando a mãe percebeu que o filho tinha trazido seu quadro de volta, deu um grito de alegria. No mesmo instante, estava curada. Pulou fora da cama, surpresa ao ver as forças lhe voltarem. Olhou para o quadro e, de repente, estava enxergando muito bem. Depois, rogou ao filho:
            - Leve o quadro para fora, filho, para eu poder vê-lo melhor.
            O filho levou o quadro até a luz exterior e o desenrolou. As cores brilhavam. De repente, houve uma ventania e o quadro foi se desenrolando mais longe, cada vez mais longe, até cobrir toda a paisagem em volta. Tão longe quanto se podia enxergar, viam-se campos de milho dourado, manadas de ovelhas, nuvens de pintinhos amarelos correndo por todo lado no meio de patinhos; um belo jardim, atravessado por um riacho, e as mais lindas flores. Tudo na natureza era como no quadro. Das casinhas prateadas saíam agora os vizinhos, maravilhados, não acreditando no milagre.
            O filho pegou a mãe e a levou para o jardim. Foram devagar em direção ao lago, não se cansando de ver tantas maravilhas. De repente, o rapaz parou estupefacto, o coração batendo a mil por hora. Perto do lago estava a fadinha miudinha de vestido vermelho a lhe sorrir.
            - De onde você vem? - perguntou o rapaz.
            A mocinha se pôs a rir, piscando os olhos.
            - Eu me bordei no quadro de sua mãe - murmurou - e você me trouxe junto. Já que o bordado tomou vida, meu lugar também é aqui.
            A mãe a olhou muito feliz.
            - Temos agora uma grande casa e uma filha que me fazia falta.
            A fada olhou para o rapaz, que se aproximou dela.
            - Você me aceita como esposo? - perguntou baixinho.
            Ela respondeu que sim com um leve sinal de cabeça.
            Houve uma grande festa de casamento. Além dos vizinhos, a mãe convidou os mendigos da região. Os irmãos maiores souberam de tudo. Já fazia muito tempo que haviam gasto todas as moedas de ouro e, como estavam acostumados a serem alimentados pelos outros, tornaram-se mendigos. Mas, quando chegaram a casa e viram as mudanças que ali aconteceram, tiveram vergonha de suas roupas esfarrapadas e preferiram não entra. Foram embora, perdendo-se no mundo.
            O caçula, ao lado da mulher fada e da mãe, viveu feliz por muito tempo, numa região rica e ensolarada.

  

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Aula da Profª Ana Helena - Conto Africano "Marama e o rio dos crocodilos"

MARAMA E O RIO DOS CROCODILOS
                                                        
                                                                 

Marama era uma menininha e, quando seus pais morreram, o chefe da tribo a entregou aos cuidados de uma das mulheres de aldeia.
Mas era uma mulher má que batia na menina, não lhe dava nada para comer e só pensava em como se livrar dela. Um dia, ela deu a Marama um pilão pesado, que se usa para descascar arroz, e lhe disse:
-Vá ao rio dos Crocodilos Bama-Bá e lave este pilão para eu poder usá-lo para descascar arroz.
Marama se pôs a chorar, porque o rio era muito afastado, era muito profundo e caudaloso, cheio de cobras e crocodilos. As pessoas tinham medo de ir até lá e só ás gazelas e os leões iam lá beber.
Porém, Marama tinha tal medo de sua madrasta ruim, que pegou o pilão e foi-se embora.
No caminho para a floresta ela encontrou um leão. Ele sacudiu sua juba e rosnou com uma voz terrível:
- Como você se chama e para onde você vai?
Marama estava com medo mortal, mas cantou com sua doce voz:

-Marama é meu nome
E não tenho mãe...
Vou ao rio         
Para lavar este pilão.
Ao rio dos Crocodilos
Minha madrasta me mandou.
Lá só vão gazelas 
E leões para beber.
Lá dormem cobras e crocodilos.

-Então vá, Marama, menina sem mãe! - disse o leão. Vá e não tenha medo. Vou cuidar para que as gazelas e os leões não incomodem você quando forem beber.
Marama continuou seu caminho e, quando chegou ao rio, um crocodilo horrendo e velho surgiu na sua frente, abrindo sua enorme boca, seus grandes olhos vermelhos lhe saindo da cabeça.
- Qual é seu nome e para onde você vai? – perguntou.
Marama estava com medo mortal, mas cantou com sua doce voz:

-Marama é meu nome
E não tenho mãe...
Vou ao rio
Para lavar este pilão.
Ao rio dos Crocodilos
Minha madrasta me mandou.
Lá só vão gazelas
E leões para beber.
Lá dormem cobras e crocodilos.

-Então vá, Marama, menina sem mãe! – disse o crocodilo. Lave seu pilão e não fique espantada. Vou cuidar para que as cobras e os crocodilos que vivem no rio não incomodem você.
Marama ajoelhou-se na beira do rio e começou a lavar o pilão. Mas estava tão pesado, que lhe escapou das mãos, desaparecendo na água. Marama começou a chorar, porque não podia voltar para casa sem o pilão. De repente, surgiu na água um crocodilo que lhe estendeu um novo pilão, limpinho e branquinho, incrustado de ouro e prata.
-Leve este pilão para casa, Marama, menina sem mãe, e mostre-o a toda aldeia, a fim de que todo mundo saiba que o poderoso Subara, rei do rio dos crocodilos, é seu amigo.
Marama lhe agradeceu e voltou para casa. No caminho, encontrou de novo o leão.
- Deixe-me pegar o pilão, Marama, menina sem mãe – disse ele. É pesado demais para você. Vou levá-lo até sua casa, assim todo mundo vai saber que o poderoso Subara, rei do rio dos crocodilos é seu amigo.
Quando Marama chegou em casa, a madrasta admirou muito o pilão e lhe perguntou onde o havia encontrado. Marama apenas lhe contou que o tinha encontrado no rio dos crocodilos. Então a madrasta pegou outro velho pilão de arroz, afim de também encontrar um novo, branquinho e incrustado de ouro e prata.
No caminho para a floresta, encontrou-se com o leão. Meneando a juba, ele rugia com voz terrível:
-Quem é você e para onde vai?
A mulher má teve tanto medo, que não conseguiu dizer uma palavra, pôs se a correr a não mais poder. O leão a seguiu com seus olhos até ela desaparecer entre as árvores, e depois simplesmente levantou os ombros.
Quando chegou ao rio, um velho, horroroso crocodilo lhe atravessou o caminho, abrindo uma enorme boca, seus olhos vermelhos e grandes lhe saindo da cabeça.
-Como você se chama e para onde vai? – perguntou.
A mulher má teve tanto medo, que não conseguiu dizer uma palavra e foi pela beira do rio. Não foi muito longe. De todos os lados, os leões e as gazelas que vinham beber no rio a cercaram, assim como as cobras e os crocodilos que viviam no rio, e todos cantavam em coro:
-Marama, a menina sem mãe, pode vim lavar seu pilão no rio,pois o poderoso Subara,
rei do rio, é seu amigo.
Mas para você, mulher má, o rio dos crocodilos significa a morte!
E assim foi.






Filme "Um Método Perigoso" (Sugestão de Djenane)

"UM MÉTODO PERIGOSO"


Sinopse:
Dirigido pelo cultuado David Cronenberg, o longa é uma mostra de como a relação entre Carl Jung (Michael Fassbender) e Sigmund Freud (Viggo Mortensen) faz nascer a psicanálise. Aborda a intensa e polêmica relação da dupla com a paciente Sabina Spielrein (Keira Knightley). O filme foi exibido em primeira mão no Festival de Veneza de 2011 e conquistou uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante para Mortensen.